Roberta Melim/ Janeiro 11, 2018/ comportamento, consultoria de imagem, estilo

Tava tudo certo. Tinha sido criado o movimento #Time’sUp depois de muitas denúncias de assédio – feitas por mulheres e homens de Hollywood – seguidas da tag #MeToo. É fato que o assédio precisa acabar e não será mais tolerado, vide demissões de grandes atores e diretores de séries e filmes – por enquanto, Johnny Depp passou batido.

Então surgiu a ideia de protestar no Globo de Ouro, uma premiação dos audiovisuais de TV e Cinema: Vamos todas usar preto. Achei a ideia fantástica, o preto é uma cor austera, sisuda, séria. E elas queriam mostrar que estavam falando sério. Mas teve três mulheres que resolveram quebrar o protesto. Blanca Blanco – que usou vermelho – disse que o problema é muito maior que seu vestido. E é mesmo. Barbara Meier também foi na contramão e usou um vestido colorido, afirmando que não deveríamos precisar usar preto pra sermos levadas a sério. Meher Tatna, nascida em Mumbai e presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, que organiza e escolhe os eleitos do Globo de Ouro, também foi de vermelho e disse que, quando se celebra algo, não se usa preto, é tradição.

O problema aqui realmente é muito maior do que a cor do vestido. O problema é que a mulherada teve que suportar até não aguentar mais pra poder ser ouvida – e ainda assim muitas vezes duvidam do que dizemos – pra que alguma ação fosse tomada. E já tá pipocando por aí críticas [aqui] ao movimento do Globo de Ouro e à maneira de como a moda está sendo usada.

Claro, eu concordo muito! Seria o ideal! Ainda que sejam em menor número, as artistas mulheres então também poderiam ter vindo à frente oferecer, à todas as mulheres que iam à premiação, suas criações. As mulheres deviam ter procurado essas artistas mulheres para apoiarem ainda mais a causa e dar maior visibilidade, já que a pergunta da noite não foi “Quem você está vestindo?” e sim “Por que está de preto?

A moda tem o poder de comunicar sem que ninguém tenha que falar nada, e essa foi a proposta de ter ido de preto. Poderia ter ido mais longe, como comentado acima? Poderia. Seria uma base sólida pra essa comunicação, uma amostra de que as mulheres estão se unindo realmente e que nada nem ninguém vai passar por cima de nós, não mais.
Um vídeo do canal Busniess of Fashion fala sobre todo esse caminho da moda e de como a mulher é tratada.

Fontes: FFW, The Business Of Fashion, Casa de Criadores, Time’s Up Now, The RINJ Foundation Women, Vogue e Hugo Gloss.